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O Lado B da Indústria da Beleza

25/09/2011

A indústria da beleza atualmente é uma das que mais cresce no mundo. Cremes, esmaltes, xampus, maquiagens, tinturas, suplementos alimentares, próteses de silicone, chás milagrosos, etc… Existe uma infinidade de produtos elaborados pela indústria cosmética que tem em comum um único e simples objetivo: deixar você mais bela (o) e feliz! Sim, feliz, pois não é possível alcançar a felicidade sendo feio. Esta última frase tem um tom extremamente preconceituoso, mas é basicamente o que a indústria da beleza quer impor a você.

Porém, por trás de toda essa belezura, existem coisas que as grandes marcas não desejam mostrar ao consumidor. Experimentos com animais, escândalos políticos, substâncias perigosas. Essa é uma realidade bastante presente nesse mundinho da beleza e da moda, mas que é desconhecida (e ignorada) por muitas e muitos.

Isto posto, resolvi enumerar dois casos que demonstram que o mundo da beleza não é tão belo quanto parece.

1. L’Oreal e o presidente Sarkozy

O presidente francês Nicolas Sarkozy atualmente está sendo investigado por receber financiamento ilegal na campanha para a presidência da França em 2007. A doadora seria  Liliane Bettencourt, 88 anos, acionista majoritária da empresa de cosméticos L’Oreal e a mulher mais rica da França, com uma fortuna calculada em 16 bilhões de euros.

O escândalo surgiu em 2009, após uma briga entre Liliane e sua filha única, Francoise Bettencourt Meyers, que por sua vez acusava a mãe de dilapidar a fortuna fazendo certas “doações”. A briga foi tão séria que Francoise abriu processo contra o fotógrafo francês (e protegido da poderosa da L’Oreal) Francois-Marie Banier, acusando-o de abusar da fragilidade de sua mãe e aceitar 1 bilhão de euros em doações.

A partir disso, com o avanço das investigações também foi descoberto que Leliane também teria feito uma doação 150.000 euros em dinheiro vivo para a campanha do então candidato a presidência da França, Nicolas Sarkozy. Existem cerca de 20 horas de gravações de diálogos entre Liliane e seus assessores que revelam a interferência do governo no processo e a ligação com o ministro do Orçamento Eric Woerth, na época tesoureiro da campanha de Sarkozy. Woerth foi afastado do ministério e Sarkozy nega tudo.

Escândalo!

Detalhes do processo e a reprodução das gravações estão disponíveis no livro Sarko m’a tuer , escrito por dois jornalistas do jornal Le Monde. Por “coincidência” , um dos autores do livro, Gérard Davet, teve o celular grampeado pelo Serviço Secreto Francês.

O presidente francês ainda encontra-se sob investigação. Mas, para muitas moças, a pergunta que não quer calar é: “O que será que Carla Bruni usa para deixar o cabelo tão lindo?” #fail

2. Testes em animais e em seres humanos

Sabe o que a Avon, L’oreal, Unilever, Procter&Gamble, Johnson & Johnson e 3M têm em comum? Além de serem gigantes mundiais da indústria química, todas se utilizam de testes em animais para o desenvolvimento de seus produtos.

A lista de produtos é imensa, e COM CERTEZA você tem vários produtos que, antes de chegarem a sua casa, foram testados em animais. E a variedade de produtos é bem eclética: vai do desodorante ao desinfetante, do repelente ao perfume, do sabão em pó até as canetas BIC.

E não pense você que, consumindo produtos caros, impregnados luxo e “glamú”, está isento dessa indústria da crueldade: coisa muito “chic”, tipo Cacharel (L’oreal), Gucci (Procter &Gamble), Hugo Boss (Procter&Gamble), Lancôme (L’Oreal), e tantas outras, também se utilizam de testes em animais para desenvolver perfumes carissímos e cremes “milagrosos”.

Os testes em animais são feitos, principalmente,  para avaliar o nível de toxicidade dos elementos químicos empregados na fórmula de um determinado produto, de forma a não produzir riscos para o ser humano. Contudo, muitos estudiosos e ativistas pelos direitos dos animais se posicionam contra esta prática, haja vista que existem métodos alternativos , que não utilizam animais,  para testar produtos químicos.

O fato é que, apesar da larga utilização de animais para testes, estima-se que entre as cerca de 100 mil substâncias químicas que circulam apenas na União Europeia, apenas 3 mil tiveram os níveis de toxicidade testados. E muitas dessas substâncias não testadas podem estar causando o aumento de alergias, o aumento da infertilidade, neoplasias, entre outras doenças.

O dado acima me faz chegar à seguinte conclusão: se de 100.000 substâncias químicas em circulação, apenas na União Europeia, apenas 3 mil foram testadas, como estão sendo feitos os testes nos outros 97 mil ? Em SERES HUMANOS, ORAS! Sim caríssimo leitor, eu e você e boa parte da população do planeta somos animais usados para testes! Todos os problemas de saúde citados no parágrafo acima são resultado da falta de testes realmente sérios e seguros e de uma regulamentação da indústria.

Quer saber um pouco mais sobre os tóxicos envolvidos nos cosméticos? Então assista ao vídeo “A História do Cosméticos”, de Annie Leonard.

Abaixo segue uma lista de links para que informam empresas nacionais e internacionais que se utilizam ou não de testes em animais:

PEA (Projeto Esperança Animal) – Empresas nacionais que NÃO testam em animais.

PETA (People for the Ethical Treatment of Animals) –Em inglês. Contém lista detalhada de empresas e produtos que realizam ou não testes em animais.

O consumo consciente sempre é a melhor opção. Porém, nem sempre é a mais viável, principalmente aqui no Brasil. A indústria nacional ainda é muito carente em produtos ecologicamente corretos, e quando a opção existe, na maioria das vezes o custo é muito maior do que o similar produzido por um grande conglomerado. Ou então, o consumidor pode recorrer a marcas importadas, todavia, o custo também se revela bem superior ao poder de compra da maioria da população. Só que na atualidade, dispomos de uma ferramenta extremamente poderosa, barata, acessível que é a internet: pesquise, divulgue, informe e não se conforme. Afinal, se todo mundo soubesse o quão tóxico é a grande parte dos produtos que consumimos, muitas pessoas mudariam seus hábitos de consumo.

Não deixe uma bela propaganda de xampu lavar sua mente!

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4 Comentários leave one →
  1. 03/10/2011 20:29

    Nossa, quanto tempo eu não comentava aqui! ;x
    Bom, vamos lá, vc me perguntou la no twitter se ainda estamos no wordpress, e não sei se a Ellen respondeu, estamos sim, mas hospedamos o blog em um novo hospedeiro, porque assim temos mais liberdade.
    Quanto ao post, eu acho vergonhoso oque é feito, as barreiras legais e morais que são quebradas em nome da estética, e esse é um dos motivos para eu querer entrar nesse mundo, para provar que dá SIM para fazer cosméticos sem prejudicar uma gama de coisas. Adoro seus posts e vc sabe disso! Estou de volta por aqui! Bjbj Ana ;]

    • 06/10/2011 22:10

      Ana, obrigada pela audiência. Também acho vergonhoso que com tanta tecnologia disponível, ainda existam empresas que se utilizam de técnicas tão rudimentares e cruéis.

  2. 27/09/2011 15:56

    A questão do hábito de consumo é que muitas vezes a gente não tem opção nem dinheiro para consumir produtos que não sejam danosos. Tentei uma vez consumir uma linha de produtos para cabelo que era três vezes mais cara do que os xampus comuns mas não dava, eu quase fali! rsrs

    Está cada vez mais difícil separar o joio do trigo. Efeito da globalização talvez? Ou apenas ganância das empresas? Difícil dizer, mas é também muito difícil mudar a cabeça das pessoas com relação ao consumo. Tinha um professor na facul que dizia que o consumo é um vício mais poderoso que a heroína.

    Eu li por alto em algum lugar – faz tempo já, por isso não lembro a fonte – que o grupo PPR, um dos maiores conglomerados de comércio do mundo, também estaria envolvido em doações para o Sarkozy. Tanto é que o grupo PPR é dono de marcas famosas como a Gucci, Bottega Veneta, Puma, Balenciaga, Yves Saint Laurent e até da FNAC. Só sei disso porque eu trabalhei na FNAC SP e conhecia o grupo, mas pouca gente realmente sabe o que ocorre nos porões das grandes empresas.

    Ótimo texto, abração!

    • 27/09/2011 20:29

      Realmente é muito difícil na atualidade consumirmos produtos 100% confiáveis. Mas creio que muito disso ocorre também pela ignorância das pessoas, e da “ignorância” da grande média, de também está ligada a estes grandes conglomerados.
      Ser um consumidor consciente está sendo praticamente impossível, mas difundir a informação pode ser o primeiro passo!
      Obrigada pelo comentário!

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