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Sacolas Malditas!

11/08/2011

As sacolinhas plásticas são umas das principais causas de poluição de rios e solos. Uma sacola demora entre 300 e 400 anos para se decompor no meio ambiente. Inventada nos EUA no final da década de 50 tornou-se febre mundial. Mas, como toda a febre, revelou-se como um sinal de doença. A doença do consumo.

De queridinha das donas-de-casa passou a odiada pelos ambientalistas. Em pouco mais de 50 anos, a tal da sacolinha plástica tornou-se a inimiga de ambientalistas e, com isso, novas alternativas passaram a ser utilizadas.

A adoção da sacola oxi-biodegradável é uma delas. Durante o processo de fabricação da sacola é adicionado um componente químico degradante, que reduz o seu período de decomposição de algumas centenas de anos para 18 meses. Segundo os fabricantes, esse aditivo reduz a estrutura molecular a um nível que pode ser consumido por bactérias e fungos, o que não resulta em resíduos de polímeros no solo. Todavia, há controvérsias: Segundo entrevista concedida pela professora de Química Orgânica da UFPR (Universidade Federal do Paraná) Sônia Zawadzki ao Jornal Comunicação da mesma instituição, o material só começa o processo de degradação com a incidência de luz direta. Além disso, é necessário que o resíduo esteja disposto em ambientes com temperatura de, no mínimo 40º C. Temperatura considerada alta para a Região Sul do Brasil. Também estima-se que durante a decomposição, a sacola oxi-biodegrável libere metais pesados como níquel, manganês, cobalto e gás metano, sendo este último um gás tóxico, potencialmente cancerígeno e um dos causadores do efeito estufa.

Ainda deve ser levado em conta que sacolas plásticas, oxi-biodegradáveis ou não, antes de se decomporem, podem parar em bueiros, obstruindo o escoamento de água, ou então parar em rios, lagos e mares, tornado-se alvo fácil para animais, como a nossa amiga tartaruga abaixo. Muitos animais vão à óbito por confundirem sacola plástica com alimento.

Tartaruga comendo sacola pl´stica

Aqui no Espírito Santo, a Lei que regulamenta a utilização das sacolas plásticas é a de nº 9.622/2011, de autoria da deputada Luzia Toledo (PMDB) e sancionada pelo governador Renato Casagrande, alterando a Lei nº 8745/2007.  Essa nova norma estipula que todos os estabelecimentos comerciais devem  “utilizar embalagens plásticas oxi-biodegradáveis (OBPs), biodegradáveis e recicladas para o acondicionamento de produtos e mercadorias em geral, quando estas embalagens possuírem características de transitoriedade”.

Também, “em nome da defesa do meio ambiente” (com muita ênfase para as aspas), a Associação Capixaba de Supermercados teve a ideia de cobrar pelas sacolas, com o objetivo de inibir o uso das mesmas. Em contrapartida, devem oferecer caixas de papelão e comercializar ecobags. O valor estimado para cada sacolinha era de 20 centavos. VINTE CENTAVOS! Sendo que os supermercados pagam entre dois e três centavos por sacola, e o custo das mesma já estão embutidos nos produtos. Ou seja, lucro máximo para os supermercados e prejuízo para o consumidor.

A cobrança iria entrar em vigor em julho de 2011, mas foi considerada ilegal pelo Ministério Público estadual, o qual sugeriu o desconto àqueles que optam por não utilizar as sacolas. Justo.

Sabe-se também que 95% das sacolas são destinadas para o acondicionamento de lixo, ou seja, se a pessoas não utilizaram as sacolas de supermercado, vão passar a adquirir outro tipo de sacola, poluindo o meio ambiente do mesmo jeito.

Creio que a implementação de sacolas oxi-biodegradáveis e as tentativas de proibição de seu uso não possuem nenhuma relação com a preocupação em diminuir a poluição ambiental. Preocupam-se em aumentar o lucro de empresas do ramo do plástico e engordar o bolso de empresários do setor supermercadista. Apenas proibir o uso das sacolinhas não surtirá nenhum efeito caso não sejam pensadas estratégias de reciclagem, coleta seletiva e acima de tudo, de consumo consciente.

Em homenagem as malditas sacolas oxi-biodegradéveis, termino este post com um vídeo de uma reportagem da TV Gazeta (afiliada da Rede Globo aqui no ES) que demonstra a “resistência” dessas sacolinhas…

E logo abaixo uma musiquinha em homenagem às sacolas malditas.

Sacolas malditas, Sacolas Malditas, venha com a gente estourar. Odeio lata, odeio óleo. Que rasguinho! Venha com a gente pocar! Não te quiero!

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5 Comentários leave one →
  1. 13/08/2011 19:52

    É inegável que todos nós temos o nosso grau de responsabilidade para garantir que futuras gerações tenham acesso a um meio ambiente sustentável. Contudo, vejo como contraditória e até mesmo hipócrita a tentativa de centralizar no indivíduo o discurso da responsabilidade ambiental. Isso porque vivemos num sistema capitalista perverso, que se desenvolve pela lógica da desigualdade socioeconômica na qual, num extremo encontram-se grandes corporações que, para a manutenção dos seus lucros, por vezes têm ignorado os riscos ambientais; e em outro, pessoas que não têm nem ao menos condições de manter a suas necessidades básicas diárias, a exemplo da fome que assola o chifre da África (http://migre.me/5ui5X). Assim, não faz sentido, na prática capitalista de mercado, encarar essa desigualdade como normal e, diante das cobranças ambientais, levar a conta a todos o indivíduos, como se vivêssemos num mundo em que fosse garantida a todos a igualdade de oportunidades. O recente discurso centralizado nas sacolas plásticas, então, tem sido uma forma ideológica para transferir a responsabilidade ambiental daqueles que desenvolvem atividades produtivas de maneira predatória para toda a sociedade civil. É fato que, diante da estagnação dos recursos naturais, temos que adequar as nossas práticas consumistas à sustentabilidade do nosso planeta. No entanto, esse nível de consciência só é alcançado pelas pessoas quando elas já conquistaram os elementos necessários a sua sobrevivência. Ou seja, um indivíduo com déficit alimentar dificilmente irá pensar no problema ambiental diante da necessidade de matar a sua fome. Chega de hiprocrisia!

  2. Ana e Ellen permalink
    12/08/2011 16:21

    É complicado mesmo!
    Mas acho que a iniciativa tem que vim dos próprios consumidores!
    ;*

    • 13/08/2011 18:08

      A extinção das sacolinhas malditas deve vir de consumidores e governos. A conscientização das pessoas é fundamental. Só proibir é muito pouco, na minha opinião.

  3. 11/08/2011 19:08

    Eu gosto muito das sacolas retornáveis, tenho várias em casa e não vejo problema em deixar uma na bolsa ou na mochila para entrar no mercado se necessário. Então eu não entendo a resistência de tantas pessoas. Elas não querem deixar sua zona de conforto para carregar uma sacola de pano? Estupidez… Eu visitei um aterro uma vez e me espantei com a quantidade de sacolinhas no meio da terra, e foi então que aquilo enfim fez a ficha cair. Antes acontecesse com todos.

    Abraço!

    • 11/08/2011 19:36

      Acho super válida a iniciativa de se buscar alternativas às colas plástica. Eu também tenho várias ecobags e até prefiro utilizá-las no lugar das sacolinhas comuns. Porém, o que vejo é uma falsa preocupação com o meio ambiente em detrimento do lucro.
      Essas sacolinhas plásticas são terríveis, mas só proibir o uso não é suficiente, embora seja um primeiro passo. Quando estava fazendo a pesquisa pra este artigo, vi em um site de um fabricante de plástico falando que “sacolas plásticas são mais higiênicas porque são descartáveis”. Pode até ser não possua bactérias e fungos, mas com a quantidade de metal pesado que estas sacolas têm, fica difícil pra seres microscópicos se desenvolverem mesmo.
      Precisamos de mudanças urgentes!

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