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Preconceito e morte: Bem vindo ao mercado de luxo

20/05/2011

Não sou nenhuma fashionista, mas gosto de acompanhar as tendências de moda, maquiagens e essas coisas de mulherzinha em geral. Por quê? Bem, porque por trás de todo esse mimimi rola muito dinheiro. Vou mostrar alguns números, só do Brasil, para vocês terem ideia do tamanho do negócio.

Segundo a ABIT (Associação Brasileira de Indústria Têxtil e de Confecção) em 2007 :

  • Somos o segundo produtor de denim do mundo;
  • É o 2º maior empregador da indústria de transformação e também o 2º maior gerador do primeiro emprego;
  • Exportações 2007: US$ 2,4 bilhões;
  • Importações 2007: US$ 3 bilhões, principalmente da China;
  • Representa 17,5% do PIB da Indústria de Transformação e cerca de 3,5% do PIB total do país.
E esses são os números oficiais, sem contar os milhares de trabalhadores informais que existem por aí.
Outro setor que não pára de crescer é o de cosméticos e higiene pessoal. Olhem os dados que achei no site do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Estatísticas Faturamento da Cadeia de Higiene PessoalPerfumaria e Cosméticos

  US$ bilhões Taxa de Cresc. (%)
2001 8,3  
2002 9,7 16,9
2003 11,5 18,6
2004 13,5 17,4
2005 15,4 14,1
2006 17,5 13,6
2007 19,6 12,0

Fonte: ABIHPEC – Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos 

Postos de Trabalho da Cadeia de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (mil empregos)

Setor 1994 2002 2003 2004 2005 2007
Produção  e Administração 30,1 50,9 48,3 50,8 54,5 60,4
Loja de Franquia 11 23,8 24 25 26,7 28,9
Revendedoras – Vendadireta 510 1.174,6 1.300 1.365 1.645 1.879
Profissionais de Beleza 579 1.043,2 1.054,5 1.096,7 1.127 12.66,1
Total 1.130,1 2.292,5 2.426,8 2.537,5 2.853,2 3.174

Fonte:  ABIHPEC – Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos

Balança Comercial da Cadeia de Higiene PessoalPerfumaria e Cosméticos (US$ milhares)

  Importação Exportação Saldo
  US$ Cresc. (%) US$ Cresc. (%) US$
2000 220.374   184.748   -35.626
2001 199.533 -9,5 191.510 3,7 -8.023
2002 152.284 -23,7 202.505 5,7 50.221
2003 150.279 -1,3 243.888 20,4 93.610
2004 156.830 4,4 331.889 36,1 175.059
2005 211.658 35,0 407.668 22,8 196.010
2006 294.568 39,2 488.835 19,9 194.268
2007 373.440 26,8 537.497 10,0 164.057

Fonte:  ABIHPEC – Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos

Analisando as tabelas acima, dá para perceber uma clara tendência de crescimento do setor. E enquanto essa galera aí fatura seus milhões, tem muita gente que se afunda em dívidas por causa disso. No entanto, o que eu quero enfatizar neste artigo são alguns casos recentes de alguns “furos” de grande marcas, que, em nome do lucro máximo, esquecem-se do que é ética e bom senso. Aqui, vou citar apenas quatro casos, que na minha opinião, são mais emblemáticos para a Geografia. Vamos a eles.

Cigarro YSL

Fumacê chique!

Essa aqui eu li hoje no site Petiscos. A grife francesa Yves Saint Laurent relançou uma linha de CIGARROS. Isso mesmo, cigarros, porque não basta apenas vender bolsas, sapatos, roupas e maquiagens a preços carissímos, haja vista que diversificar os negócios é necessário…
O mais louco é a descrição da equipe de marketing: “cigarros que deixam a mulher com um look clássico e sofisticado”: “criando um apelo para a vaidade feminina, e assim, tornando a mulher que fuma YSL mais atraente do que aquela que fuma outra marca e ainda mais atraente do que aquela que não fuma”.

Realmente deve ser bem atraente ficar com cheiro de fumaça, com tendência para morrer de câncer de pulmão. Maravilhoso, né?!
Se você estiver afim de uma doença chique, basta ir para algum país asiático ou para a Rússia, onde o produto está sendo comercializado. Se estiver na Rússia, aproveita e compra uma vodca, que lá é mais barata que um chiclete, blz? #NOT

O amor de Galliano por Hitler

Uma judia, um anti-semita e muita hipocrisia

 John Galliano era o estilista responsável pelas criações da maison Dior desde 1996. O cara era super elogiado por críticos de moda pela sua criatividade e ousadia até que… Um belo dia, lá pelo fim de 2010, ele estava no café La Perle, em Paris, e aí, disparou, contra um casal que estava presente, uma série de comentários anti-semitas, racistas e também fez questão de expor sua paixão por Adolf Hitler. O casal prestou queixa na polícia e o estlista está sendo processado e, além disso…. foi demitido da Dior.
O pior de tudo é que a atual garota propaganda de um dos perfumes da Dior, Chérie, é a atriz Natalie Portman, adepta do judaísmo. Logo após o incidente, ela declarou que estava “chocada e enojada”. Com razão.
Pois é, a despirocada do Galliano foi gravada e tudo.

Arezzo em pele de coelho

Cadáver em formato de bolsa

Recentemente, a grife brasileira Arezzo foi, por vários dias, um dos assuntos mais comentados no Twitter por conta da recém-lançada coleção Pelemania, que contava com algumas peças confeccionadas com peles “exóticas”, como coelho e raposa. O público em geral criticou com vigor o uso de pele animal, e rapidinho eles recolheram os produtos das lojas. Segundo a equipe de comunicação da marca, a escolha por peles é uma tendência em moda, e os animais utilizados são de cativeiros certificados e que seguem as normas ambientais.
Então tá, animais que nunca viram o que é viver em natureza, criados desde de filhotes para virarem bolsas de madame… Legal né, como a Arezzo é comprometida com o meio ambiente! E num país como o nosso, de clima tropical, o uso de pele é totalmente justificado. Correto. #fail
É Arezzo, pegou mal.

MAC e violência no México

Em 2010, a MAC (marca de maquiagem queridinha de dez entre dez fashionistas) iria lançar uma coleção de make em parceria com a grife Rodarte, das irmãs Kate e Laura Mulleavy (só por curiosidade: elas foram as responsáveis pelo figurino do filme Cisne Negro).
Mas, antes de explicar sobre a coleção de maquiagem, vou falar sobre o tema da mesma: o feminicídio em Ciudad Juaréz. Esta cidade fica próxima da fronteira entre México e EUA.  No início dos anos 90 o governo mexicano implantou nessa cidade uma zona franca, ou seja, uma zona livre de impostos, para atrair indústrias estrangeiras para seu território. Cerca de 3 mil fábricas estrangeiras funcionam nessa zona, como Sony, Hyundai, entre outras, que foram atraídas pela maravilhosa combinação de insenção de impostos e mão-de-obra barata.
O cenário de grave desemprego pelo qual passa o México atraiu um grande número de trabalhadores para o local. A grande problemática reside no grande número de estupros e assassinatos de mulheres que ocorrem na região. Muitas empregadas, cuja maioria encontra-se na faixa entre 15 e 30 anos, trabalham de madrugada, situação que, por vezes, as tornam vítimas de assassinos e estupradores. Segundo ativistas de direitos humanos, nos primeiros dez anos de implantação da zona franca, cerca de 4 mil mulheres desapareceram nessa região. E ainda há indícios de envolvimento de policiais e famílias ricas da região…
Voltando ao caso da MAC, as irmãs Rodarte já tinham feito uma coleção para o inverno 2011 inspirada em Ciudad Juaréz, e aí veio a parceria com a MAC. Nas fotos de divulgação, modelos com ar sombrio, com palidez e olheiras acentuadas, meio como se estivessem mortas. Mas o pior são os nomes do produtos:  sombra Border Town (cidade de fronteira), esmaltes Factory (fábrica) e Juárez, batons Ghost Town (cidade-fantasma) e Sleepless (sem dormir), blush Quinceañera (menina de quinze anos), gloss Del Norte (nome anterior de Ciudad Juárez). Uma coleção de maquiagem resumindo um grave problema social.

Montagem do blog De Chanel na Laje

No blog De Chanel na Laje a autora faz uma ótima colocação: “Para mim, foi impossível não fazer uma analogia. Imaginem se a MAC lançasse uma linha de maquiagem inspirada no Brasil: sombra Crack, batom Comando Vermelho, blush Periferia Reprimida, base Poluição, gloss Chuva Ácida, esmalte Amazônia em Chamas. Seria lindo. Todo mundo ia adorar, né? Então.”
Depois de toda a polêmica em torno do asssunto, a MAC anunciou que destinaria parte das vendas para instituições que combatem o feminicídio no México, que prontamente negaram a “ajuda”. Depois, veio com a conversa de que o lançamento da coleção era para estimular o debate sobre a crise social no México. Tá, tipo assim, vocês discutem e a  gente fatura em cima do sofrimento alheio.
Bom, o que quero manifestar com este post é que você pode consumir o que quiser, afinal, o dinheiro é seu e ninguém tem nada a ver com isso. Mas, ao adquirir um produto, você também está ajudando a divulgar a imagem do mesmo e, de certa forma, concorda com a política praticada pela empresa. Pesquise, se informe. Não compre produtos de empresas cujas ideias sejam contrárias às suas.
Abaixo estão os links de alguns artigos que utilizei como referência e que apresentam outras questões sobre os assuntos apresentados:
mac, rodarte, feminicídio, frivolidade e polêmica: 
http://dechanelnalaje.wordpress.com/2010/09/01/mac-rodarte-feminicidio-frivolidade-e-polemica/
Maquiagem polêmica
http://www.heloisamarra.com/index.php?option=com_content&task=view&id=1060&Itemid=98
Governo Fox encobre assassinos de mulheres de Ciudad Juarez 
http://www.pstu.org.br/opressao_materia.asp?id=4773&ida=4
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2 Comentários leave one →
  1. tatty permalink
    23/05/2011 13:59

    Adorei.São coisas totalmente sem noção que as vezes passam despercebidas por quem compra,ate porque as vezes as pessoas compram sem nem se informar sobre o que estão consumindo.
    Genteee helloooooo essa idéia de que cigarro e chique é da década de 50!!!na qual as pessoas não tinham noção dos malefícios do cigarro.A história da bolsa segue a mesma “idéia”.
    Agora a MAC pegou meio “pesado” mesmo com essa coleção.Achei engraçado as “sugestões”de nomes para os produtos se a coleção fosse inspirada aqui no Brasil..

    • 23/05/2011 21:04

      Pois é, coisas que pareciam batidas voltam, e, sinceramente, não entendo o porquê. Todas as marcas citadas deram um tiro no próprio pé, principalmente a MAC e a Arezzo, que foram obrigadas a tirar de circulação as coleções tamanha foi a polêmica nas redes sociais.
      Na verdade, se a gente parar para analisar, praticamente TODAS as grandes empresas tem seus podres, e se a gente ficar paranóico com isso, não compra nada. Mas, um batom MAC ou uma bolsa de pele de coelho são essenciais pra nossa vida? Eu acho que não. Pena que nem todos pensem assim…

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